PARA
QUE SERVE A NAUTICAMPO
(Uma
opinião)
A
NAUTICAMPO de 2023 foi reduzida a um único pavilhão. Seguramente
que esta redução se não deveu a qualquer propósito escondido dos
gestores da NAUTICAMPO, mas devido à pouca participação dos
expositores. Nesse pavilhão estariam meia dúzia de barcos, meia
dúzia de autocaravanas, meia dúzia de caravanas e muitos pavilhões
de “acessórios” e de outras divulgações relacionadas com a
indústria do lazer e do desporto. As casas pré fabricadas (poucas)
tinham grande afluência comparativamente com outros “Stands”.
Não que os outros estivessem às moscas, note-se.
Não
me arrisco a prever se em termos de negócio a participação terá
compensado os custos dos expositores. Alguns, quem sabe, terão
participado apenas para marcar presença e dizer: Estamos aqui. Ainda
existimos.
Relativamente
aos “representantes” dos consumidores constatei a participação
da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), da
Federação Portuguesa de Autocaravanismo (FPA), do CampingCAR e da
Associação Autocaravanista de Portugal – CPA que, conjuntamente
com o mediador de seguros Castela & Veludo, vem marcando presença
na NAUTICAMPO ao longo de anos.
Gostaria
muito de ter visto a presença do Clube Autocaravanista Saloio (CAS)
agora que, como é do conhecimento geral, saiu da FPA.
Até
que ponto se justifica a participação das associações destas
modalidades na NAUTICAMPO é a pergunta que muitos autocaravanistas e
não só, fazem.
No
período em que lá estive (que em si mesmo pode não representar uma
amostra significativa) tive a percepção de que a maioria dos poucos
visitantes eram pessoas da chamada “meia idade” e aparentemente,
muitos reformados. Jovens? Quase nenhuns.
Os
incentivos ao associativismo, aproveitando a realização do certame,
não existiam ou estavam muito escondidos. O CPA, na Página Digital
Oficial, prometia um desconto de feira a quem fizesse um seguro de
autocaravana. Mas, não dizia qual. E, não terá divulgado esse
incentivo com a profusão que deveria. Soube, no decorrer da minha
visita, a amplitude do desconto e, a ser verdade o que me informaram,
teria valido a pena uma deslocação dos autocaravanistas à
NAUTICAMPO para concretizarem o tal seguro.
Ignoro
se as outras associações promoveram incentivos semelhantes, mas
será, questiono-me, que as associações devem ter uma política de
incentivos para incrementar o associativismo com base exclusivamente
em mais valias económico financeiras? E respondo: Não. Então (e
agora reporto-me apenas ao autocaravanismo) há que passar a mensagem
das virtudes e problemáticas do autocaravanismo, aproveitando o
espaço da NAUTICAMPO e promovendo debates.
Não
se riam! Não digam que é uma acção ultrapassada. Que já poucos
comparecem. O que é necessário é ter criatividade e muito
trabalho.
Vejamos,
a título de exemplo, o que se poderia fazer:
1º
O colóquio devia ter apenas dois temas e apelativos;
2º
Os dois oradores (ou pelo menos um) deviam ser figuras públicas;
3º
O colóquio devia ser divulgado com antecedência por todos os meios,
não só pelos associados como fora dos dos associados;
4º
Por entre os participantes, no colóquio, devia ser sorteado um
prémio para os associados e um prémio para os não associados
(Exemplo: isenção da quotização anual para um sócio e para um
não sócio que esteja presente);
5º
Gravar o colóquio para futura divulgação e obter muitas fotos para
no ano seguinte poderem ser utilizadas na divulgação de nova
actividade a realizar na NAUTICAMPO;
Este
exemplo atrás referido é apenas isso, um exemplo. Outros haverá
ainda, estou convicto, melhores que este. Mas, no estado da arte, que
é como quem diz, no estado em que o autocaravanismo se encontra,
torna-se premente divulgar ideias, promover o associativismo e
incentivar o respeito pela modalidade em todas as suas vertentes.
CONCLUINDO:
A NAUTICAMPO é importante para as associações autocaravanistas
como um espaço de divulgação e debate da modalidade contribuindo
para implementar o associativismo.