sexta-feira, 11 de abril de 2014

No Limite da Dor



No Limite da Dor

A revolução do 25 de abril de 1974, única pelas características e forma como decorreu, extinguiu a polícia política e expurgou a penalização, entre outras, do delito de opinião da legislação portuguesa.

Em Portugal, no decorrer do chamado “Estado Novo” governado pelo ditador antónio salazar e posteriormente por marcelo caetano, a tortura foi também uma das armas (a par da censura) usada para tentar submeter o povo português.

Talvez para que “Não apaguem a memória” (ver AQUI) está a ser divulgado um programa sobre a tortura intitulado “No Limite da Dor” (ver e ouvir AQUI).

"No Limite da Dor" é uma série de programas com testemunhos de vários ex-presos políticos que foram torturados pela PIDE e submetidos a todo o tipo de torturas: espancamentos muito violentos, privação do sono, isolamento, chantagem emocional.

São pessoas de diferentes formações políticas: do PCP à FAP, passando pelo MRPP e pelos Católicos Progressistas.

Todos, cada um à sua maneira, queriam um país livre e melhor.

Alguns nunca prestaram declarações à polícia política, outros acabaram por falar quer em nomes de outros companheiros, quer sobre a organização a que pertenciam.

Nas conversas com Ana Aranha, estes homens e mulheres vão ao fundo dessas memórias, um exercício nem sempre fácil e por vezes doloroso.

Falam dos sofrimentos, dos medos, mas também da coragem que sentiram na época e da forma como têm vivido e convivido com esta parte do seu passado.”



Estes extraordinários testemunhos de ex-presos políticos torturados pela PIDE (Policia Internacional e de Defesa do Estado) são comentados e complementados com textos, fotos e fotocópias de documentos da época no Blogue “No Limite da Dor” (ver AQUI)

Baseado neste programa homónimo da Antena 1 estará disponível a partir do próximo dia 16 de abril um livro da autoria de Ana Aranha e Carlos Ademar, com prefácio de Irene Flunser Pimentel e posfácio de Mário de Carvalho.

Não será despiciente também a leitura do livro “A Confiança no Mundo - Sobre a tortura em democracia”, de José Sócrates, pois, segundo o prefácio de Luiz Inácio Lula da Silva (ex-Presidente do Brasil), “Neste livro, José Sócrates desenvolve sua análise a partir de três abordagens complementares. Desfila a argumentação pelos canais da História, aborda os aspectos éticos da questão e acentua os danos que a prática da tortura acarreta às próprias instituições democráticas. Consegue desmontar, pedra por pedra, de forma convincente, todas as falácias a respeito da admissão do emprego da tortura em casos excepcionais, ou condicionada à limitação de sua intensidade e duração, ou ainda reservada exclusivamente aos episódios — sempre imaginários — em que um artefato nuclear está prestes a explodir, ou centenas de crianças estão reunidas num cinema que somente o terrorista imaginário pode confessar, se pressionado pela dor.».

Da leitura do livro o que sobressai é a resposta à questão de saber se em democracia se justifica o uso da tortura, não fora da lei, mas num quadro de exceção, dentro da lei, o que só por si justifica esta leitura.

Quanto a mim, quem queira, no momento político em que nos encontramos, adquirir suporte que lhe permita combater as novas formas de ditadura impostas pelos chamados eufemisticamente mercados, não deve, nem pode, deixar de aceder, entre outras, à informação atrás referida. 


quinta-feira, 10 de abril de 2014

É essencialmente uma questão de bom senso



Alguns… felizmente poucos e sempre os mesmos

Alguns autocaravanistas (felizmente poucos e sempre os mesmos) quase que só analisam o (s) mensageiro (s) e quase que nunca se pronunciam sobre a substância da (s) mensagem (s). São também os mesmos que sobre as questões do autocaravanismo quase nunca escrevem assertivamente construtivos textos de opinião, desbravando caminhos, apontando eventuais soluções. A participação destes autocaravanistas, tanto na construção de uma crítica, como na proposta de uma solução, é tantas e tantas vezes contraditória, sendo normalmente incapazes de ir além do alinhavar de meia dúzia de palavras.


Um estudo mal aplaudido

São os mesmos que no passado, aplaudiram estudos sobre a política autocaravanista na Região do Algarve, que indicia a “guetização” e discriminação das autocaravanas, mas que alardeiam, esses autocaravanistas, sobre todos os males do autocaravanismo estarem centrados nos Parques de Campismo, campismo que em si mesmo, segundo eles, é imprescindível estripar do convívio autocaravanista. Na realidade o estudo que tanto celebraram tem como objetivo obrigar as autocaravanas a recolher a Parques de Campismo, política que na nossa vizinha Espanha já se começa a evidenciar com alguma regulamentação que já impede as autocaravanas de estarem estacionadas fora de locais autorizados para o efeito entre as 24 e as 8 horas. Mas, será que terão lido, pergunto, o estudo a que me refiro?


Leis para legislar o que já está legislado

São os mesmos que defendem a existência de Leis especificamente autocaravanistas sem, contudo, vir publicamente esclarecer qual o conteúdo dessas novas Leis e em que aspetos elas trariam para os autocaravanistas regulamentação que já não exista. São os mesmos que estão desfasados da realidade da sociedade em que nos encontramos e acreditam ou querem acreditar que uma Lei sobre Autocaravanismo se iria debruçar exclusivamente sobre os desejos dos autocaravanistas, não considerando que outros interesses instalados, de elevado poder económico, obviamente que se esforçariam para que da Lei resultasse a proteção dos respetivos interesses. Esta falta de visão levou, inclusive, a que os que defendem a existência de Leis especificamente autocaravanistas quisessem ressuscitar um antigo projeto Lei que discriminava o autocaravanismo, o que, felizmente, não se concretizou. Mas, será que terão lido, pergunto, o que sobre esta matéria já se escreveu?


Sem definir os princípios exigir Leis

São os mesmos que continuam a criticar a Declaração de Princípios da Plataforma de Unidade, subscrita por muitas entidades vocacionadas para o autocaravanismo, pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP) e pela Federação Internacional de Campismo, Caravanismo e Autocaravanismo (FICC). Críticas sem substância e que já foram oportunamente contraditadas. Declaração de Princípios a que a Assembleia Geral da FCMP veio agora dar ainda mais força ao reconfirmar, em finais de 2013, que os conceitos passam a ser política autocaravanista da Federação. Declaração de Princípios que a FICC inseriu também na sua esfera de ação. Mas, será, pergunto, que o facciosismo destes autocaravanistas não lhes permite ver para além de uma clubite irracional?


Não aprender com promessas não cumpridas

São os mesmos que sobre Quarteira (Loulé) acreditaram em muitas promessas e repentinamente viram as mesmas violadas com regulamentação que proíbe o estacionamento de autocaravanas em igualdade de circunstâncias com qualquer outro veículo de igual gabarito e que “obriga” as autocaravanas a recolherem a um Parque de Campismo para Autocaravanas. Mas, pergunto, será que estão esquecidos e não aprendem com estes (maus) exemplos?


Criticar sem razão substantiva

São os mesmos que não se questionam sobre as afirmações de princípio que devem nortear uma política autocaravanista e enquadrar as ações de instituições dignas desse nome. A FICC assumiu, ao aprovar os conceitos que a Declaração de Princípios contem, uma política autocaravanista a ser implementada por todas as centenas de instituições internacionais aderentes. A FCMP, ainda antes da FICC, assumiu, ao aprovar os conceitos que a Declaração de Princípios contem, uma política autocaravanista a ser implementada por todas as mais de 500 associações portuguesas federadas. E, pergunto, onde estão divulgados os princípios que defendem as outras instituições avalizadas por estes poucos e sempre os mesmos autocaravanistas como sendo as únicas defensoras do verdadeiro autocaravanismo? Mas, será, pergunto, que não é evidente que a FCMP e a FICC, Federações cuja existência resulta da vontade de centenas e centenas de associações e de milhares e milhares de autocaravanistas, ao subscreverem voluntariamente (porque a isso não estavam obrigadas) princípios autocaravanistas, não estão a defender responsavelmente o autocaravanismo?


Não analisar as situações externas

São os mesmos que contribuíram para a criação de associações com o especifico objetivo de instituírem uma Federação, sem refletirem sobre a sustentação politica e económica da mesma. Na nossa vizinha Espanha foi também criada a Federação (Federacion Española de Asociaciones Autocaravanistas (FEAA) que serviu de justificação (de exemplo) para que em Portugal se seguisse idêntico caminho. Contudo, em outubro de 2011, a FEAA abandonou a Federation Internationale des Clubs de Motorhomes (FICM) e aderiu à Fédération Internationale de Camping, Caravanning et Autocaravaning (FICC), realidade que foi muito difícil de aceitar, esquecida mesmo, principalmente numa época em que se preconizava a necessidade do nascimento de muitas associações autocaravanistas para se poder criar uma federação e, talvez, também, porque a decisão da FEAA (de sair da FICM) foi apoiada por nove importantes Clubes autocaravanistas espanhóis que já faziam parte FEAA. Algum tempo depois o lugar da FEAA na FICM foi ocupado por apenas um único clube, o Lleure Càmper Club Catalunya. Mais de dois anos após a constituição em Portugal de uma Federação com apenas dois Clubes filiados, sem perspetivas de mais adesões significativas e sem que a maioria dos autocaravanistas tenha vindo a optar por sair das associações inseridas na Federação de Campismo e Caravanismo de Portugal, não será, pergunto, este o momento para corajosa e conscientemente mudar de rumo?


Não parar para refletir

São os mesmos que não refletem sobre a evolução de uma instituição criada um tanto artificialmente há quase três anos (20 de junho de 2011) e cuja expansão é menor do que à data da criação. Comparando os previsíveis 6000 (?) autocaravanistas existentes em Portugal a esta Federação terão aderido, por vontade própria ou por inércia, uns 5%. Mas, só o CPA tem um pouco mais de 15%. E o Clube de Campismo e Caravanismo de Barcelos? E o Clube de Campismo do Porto? E o Clube de Campismo de Lisboa? E o Clube de Campismo “Estrela”? E o Clube de Campismo de Almada? E o Clube de Campismo… E o ACP? E… Seguramente que todos eles, todas as associações inscritas na Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, têm inscritos, pelo menos, uns 50 a 60% dos autocaravanistas existentes.


Todos estes acontecimentos deverão levar (as associações autocaravanistas) a refletir com seriedade sobre duas questões essenciais:

- Subscrição da Declaração de Princípios
- Criação (não orgânica) de uma Plataforma de Entendimento

É essencialmente uma questão de bom senso


(O autor, todas as Quintas-feiras, no Blogue do Papa Léguas Portugal, emite uma opinião sobre assuntos relacionados com o autocaravanismo (e não só) –  AQUI)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Sopa de São Macário


Autocaravanismo

Encontro Gesto EcoSolidário em S. Pedro do Sul - 2014
Foto Reportagem


IX GESTO ECO SOLIDÁRIO, em S. Pedro do Sul no período de 28 a 30 de março de 2014. O primeiro GESTO ECO SOLIDÁRIO foi uma iniciativa de um grupo de autocaravanistas Luso-Espanhóis em 2006, em apoio à região devastada por um incêndio em 2005.

O IX GESTO foi apoiado pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal que igualmente esteve presente no primeiro Gesto realizado em 2006.

As fotos, cuja ordem corresponde à sequência do encontro, podem ser vistas AQUI.

Para ver as fotos em “tela inteira” não se esqueça de pressionar a tecla “F11”. Para voltar ao formato inicial prima de novo “F11”.


PINDELO DOS MILAGRES

Antes de ser designada como tal, esta freguesia tivera o nome de Pindelo de Lafões.

No século anterior, a freguesia deixa de pertencer ao concelho de Lafões ou Vouzela e é integrado no concelho de S. Pedro do Sul.

No local da freguesia houve, possivelmente uma capela de São Domingos, que terá desaparecido para ficar apenas a de Nossa Senhora dos Milagres. Mais tarde, na povoação de Rio de Mel, foi construída a capela de S. Domingos, passando a ser Padroeira desta. Contudo o orago da bela freguesia de Pindelo é Nossa Senhora dos Milagres, adoptando a freguesia o nome da sua padroeira.

O povoamento não é disperso e as paisagens são dominadas pela paisagem rural. Ao longo do ano a vegetação muda de cor, por ser grandemente de folha caduca (videiras, castanheiros, carvalhos, etc.) e por causa das actividades agrícolas. A população é pacífica, acolhedora, comunicativa e ciosa das suas tradições.

Fonte: Junta de Freguesia

terça-feira, 8 de abril de 2014

Recordar… “A multa”


ASSOCIATIVISMO OU EGOÍSMO?
(Texto escrito em 8 de Setembro de 2009)


A INTRODUÇÃO

Alguns companheiros autocaravanistas, que têm sido penalizados pela utilização alegadamente abusiva do espaço público, dirigiram-se ao Papa Léguas solicitando um aconselhamento sobre o que devem fazer.

A resposta possível, talvez não a desejada, é a seguinte:


A VIA PÚBLICA

A via pública é, como o adjectivo indica, propriedade comum e, consequentemente, tem de ser passível de regras tendentes á sua utilização pelos cidadãos.

Todos entenderão que não devemos conspurcar a via pública pela acrescida razão de que além do nosso espaço colectivo estamos, igualmente, a sujar o espaço, que sendo colectivo, é também dos nossos vizinhos.

Também será entendível que sendo um espaço de utilização colectiva (a via pública) não nos devemos apropriar com carácter de permanência ilimitada de um pedaço dessa mesma via. Aliás, no que se refere ao estacionamento de veículos, a Lei impede essa apropriação para além de um determinado período de tempo.

Contudo, os autocaravanistas devem, prioritariamente em associação, lutar contra a descriminação que impeça as suas autocaravanas de utilizarem plenamente a via pública, à semelhança do que fazem outros veículos, pelo único facto de serem autocaravanas.


A MULTA

Alguns autocaravanistas têm sido penalizados pela utilização alegadamente abusiva do espaço público. Alegadamente, sublinhe-se, porquanto os autocaravanistas penalizados declaram-se inocentes e, assim, recorrem (escrevem, telefonam) a outros companheiros autocaravanistas, solicitando conselhos sobre os caminhos a seguir para recorrer da(s) injustiça(s) que consideram estar a ser alvo.


A INFRACÇÃO

Antes mesmo de solicitar qualquer tipo de aconselhamento e de preferência profissional deve ser feita uma análise do evento.

- Estava acampado? Ou seja, tinha a autocaravana, ocupando um espaço superior ao seu perímetro, em consequência da abertura de janelas para o exterior, uso de toldos, mesas, cadeiras e similares, para a prática de campismo?

- Estava a verter ou tinha vertido fluidos para o exterior da autocaravana?

- Estava estacionado em contravenção com qualquer disposição do Código da Estrada, nomeadamente infringindo sinalização legal?

- Estava estacionado numa área abrangida por algum dos Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) que, não obstante ser discriminatório, impede as autocaravanas de permanecerem estacionadas num específico período da noite?

Se respondeu SIM a qualquer uma destas questões talvez não se justifique recorrer de uma penalização que lhe tenha sido aplicada. Mesmo o recurso sobre uma infracção referente ao estacionamento numa área abrangida pelo POOC só poderá resultar eventualmente positiva após uma batalha jurídica longa.


A PREVENÇÃO

Os agentes da autoridade locais ignoram, por vezes, que as autocaravanas têm o direito de estacionar em igualdade de circunstâncias com outros veículos do mesmo gabarito e entendendo-se por estacionamento a imobilização da autocaravana na via pública, respeitando as normas de estacionamento em vigor, designadamente o Código da Estrada, independentemente da permanência ou não de pessoas no seu interior.

Sugere-se, para o esclarecimento dos agentes e para mais tarde poder ser utilizada em tribunal, que no acto da interpelação policial seja entregue ao agente uma cópia de uma carta do Comando Geral da Guarda Nacional Republicana de 3 de Outubro de 2006 (que pode ser acedida AQUI) e em que a GNR declara ilegais os sinais de proibição de estacionamento com o símbolo de autocaravanas.


O CONSELHO DO LEIGO

Quando se está doente solicita-se conselhos aos amigos / familiares sobre os tratamentos a seguir? Ou recorre-se a um médico?

Quando se recorre a um médico (que não conhece a “nossa” doença) faz-se por escrito, por telefone ou à mesa de um café?

O recurso a um profissional (1) sempre que formos penalizados e estivermos convictos da nossa inocência e tivermos meios de o demonstrar (provas) é o único conselho que um leigo pode e deve dar sobre um caso concreto.


O ASSOCIATIVISMO OU O EGOÍSMO

A participação associativa é o caminho.

A participação, a solidariedade, a união!, como motores que constituirão uma força assente na razão e em que todos os membros das respectivas associações se movimentem com objectivos comuns é, no actual momento, o único caminho possível para a defesa dos nossos direitos e interesses enquanto autocaravanistas.

O isolamento, o não associativismo, o relegar exclusivamente para os dirigentes associativos a resolução dos problemas e considerarmos que temos todo o direito de sermos apoiados e defendidos por todos quando um problema nos atinge, mas, em contrapartida, assobiarmos para o lado (não é nada comigo!) quando se trata de apoiar o companheiro em dificuldades, é, no mínimo, uma atitude egoísta que não merece um apoio retributivo e muito menos solidariedade.


A RESPOSTA CONCRETA

- Pois, pois, mas quando me multarem ou expulsarem sem razão o que é que eu faço?

Todos nós sabemos a resposta!

As associações de autocaravanistas têm que disponibilizar meios de apoio jurídico aos autocaravanistas que estando perfeitamente legais não tenham pago a multa e / ou tenham sido expulsos do local. Não se trata de estabelecer que existe apoio jurídico individualmente considerado; trata-se de dar um sinal claro às autoridades que as associações vão iniciar uma campanha jurídica contra as ilegalidades. Trata-se de um apoio excepcional para situações excepcionais.

É chegado o tempo de todas as associações de autocaravanistas, todos os “formadores de opinião”, todos, todos, TODOS se sentarem na mesma mesa e discutirem IDEIAS.

Sem lutar pelos nossos direitos e interesses nada se consegue.


(1) O CPA dispõe de aconselhamento Jurídico gratuito desde 1 de Janeiro de 2011


(Todas as Terças-feiras, neste espaço (Papa Léguas Portugal), estarei a “RECORDAR…” e a transcrever alguns escritos antigos que assinalam um período importante (pelo menos para mim) dos meus pensamentos e forma de estar na vida.)


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Poesia de... Bocage (II)



Já Bocage não sou!... À cova escura
(Ditado entre as agonias do seu trânsito final)


Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

(Bocage – 1765-1805)




Os sinais da doença que acabou por vitimar Bocage começaram a manifestar-se no início de 1804. Debilitado, o poeta foi perdendo o alento pelo trabalho. Aos 40 anos, a 21 de dezembro de 1805, morreu na casa onde vivia, em Lisboa.

Segundo o biógrafo Gomes Monteiro, foi em 1804 que Bocage começou a sentir os primeiros sintomas da doença que o levaria a uma morte precoce. Supõe-se que o poeta começasse a sentir fortes dores de cabeça e não tivesse a mesma desenvoltura para percorrer as ruas do Chiado e do Bairro Alto.

O seu médico, Manuel Joaquim de Oliveira, não demonstrava qualquer esperança numa cura. Talvez os primeiros sinais da doença estivessem já relacionados com a semana que Bocage passou, em 1799, no Hospital Real de São José, sem indicação sobre os motivos do internamento.

Em 1804, o rasto de Bocage perdeu-se, talvez devido ao desalento provocado pela doença, um aneurisma nas carótidas. Só voltou a ser falado no início do ano seguinte, quando foi levada à cena, no Teatro do Salitre, o drama para música “A Virtude Laureada”, escrito pelo poeta.
Esta peça – em que as personagens eram entidades alegóricas, como a Ciência, a Libertinagem, a Polícia e o Génio Lusitano – terá sido encomendada a Bocage por Pina Manique, também doente na altura. No entanto, já sem o poder de outrora e preocupado em manter o cargo de intendente que ainda ocupava, Pina Manique, confrontado com o conteúdo da peça, mandou-a retirar de cena, a 14 de janeiro.



domingo, 6 de abril de 2014

COMPREENDER PORTUGAL (VIII)


“Compreender o que se passa no mundo, num país, numa aldeia, numa família, numa pessoa, ou simplificando, para compreender os inter-relacionamentos da sociedade humana, é necessário, mesmo imprescindível, conhecer os acontecimentos do passado e interpretá-los à luz da época em que ocorreram com o conhecimento global do presente.

Ter esse conhecimento (ou qualquer outro) é ter poder. O poder de poder tomar as melhores decisões nos momentos apropriados.”

Em “Compreender Portugal (I)” (ver AQUI) encontra-se explicitadas as razões da divulgação deste tema. Todos os textos e vídeos anteriores sobre "Compreender Portugal" podem ser acedidos AQUI.

Aos autocaravanistas sugiro que visitem muitos dos locais históricos referidos nos vídeos.


Terramoto de 1755

O Sismo de 1755, também conhecido por Terramoto de 1755 (ou ainda Terremoto de 1755, no português brasileiro), ocorreu no dia 1 de novembro de 1755, resultando na destruição quase completa da cidade de Lisboa, e atingindo ainda grande parte do litoral do Algarve. O sismo foi seguido de um maremoto - que se crê tenha atingido a altura de 20 metros - e de múltiplos incêndios, tendo feito certamente mais de 10 mil mortos (há quem aponte muitos mais). Foi um dos sismos mais mortíferos da história, marcando o que alguns historiadores chamam a pré-história da Europa Moderna. Os geólogos modernos estimam que o sismo de 1755 atingiu a magnitude 9 na escala de Richter.

O terramoto de Lisboa teve um enorme impacto político e sócio-económico na sociedade portuguesa do século XVIII, dando origem aos primeiros estudos científicos do efeito de um sismo numa área alargada, marcando assim o nascimento da moderna sismologia. O acontecimento foi largamente discutido pelos filósofos iluministas, como Voltaire, inspirando desenvolvimentos significativos no domínio da teodiceia e da filosofia do sublime.

Fonte: Wikipédia – A enciclopédia livre


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Federação aprova política autocaravanista



POLÍTICA AUTOCARAVANISTA APROVADA NA ASSEMBLEIA GERAL
DA
FEDERAÇÃO DE CAMPISMO E MONTANHISMO DE PORTUGAL

Perante o silêncio que se vinha verificando por parte da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP) senti-me na obrigação de em 6 de março passado produzir um alerta público (ver AQUI) sobre questões essencialmente relacionadas com o autocaravanismo.

Já em 27 de fevereiro passado interrogava-me sobre se a Comissão de Autocaravanismo da FCMP existia (ver AQUI) porquanto não eram noticiadas as eventuais atividades que a mesma podia estar a desenvolver. Na realidade o que pretendia e pretendo é que se vá dando informação pública relacionada não só com as atividades da Comissão como com o Autocaravanismo.

A própria Associação Autocaravanista de Portugal – CPA em 4 de março passado emitiu o Comunicado 1/2014 (ver AQUI) cujo título (Os programas eleitorais são para cumprir) é suficientemente elucidativo.

Contudo, no passado dia 27 de março, constatei que no Portal da FCMP já se encontrava disponível o Plano de Atividades e Orçamento para 2014 (ver AQUI) e sobre o que já tinha manifestado o meu desagrado pela não divulgação pública.

Estes são os factos. Factos sobre os quais foram tecidas críticas que poderiam ter sido evitadas se houvesse comunicação bastante e, muito especialmente, comunicação atempada, nomeadamente no que se refere à divulgação do Plano de Atividades e Orçamento para 2014.

O Plano de Atividades e Orçamento para 2014 tem um importante significado no que se refere à politica autocaravanista a seguir pela FCMP e obviamente pelas respetivas associadas, na medida em que é um documento que, embora proposto pela Direção da FCMP, é aprovado pelo órgão máximo da Federação, a Assembleia Geral.

No que respeita ao autocaravanismo é dito que o “ (…) Plano de Atividades para esta área foi elaborado em grande parte pela própria Comissão, pois é uma proposta para todo o Movimento e, mais do que isso, é um compromisso dos membros da Comissão perante as Filiadas da Federação e, especialmente, perante os Autocaravanistas de Portugal. (…) ”

Este trecho delega na Comissão de Autocaravanismo da FCMP uma especial responsabilidade no cumprimento das propostas que a Comissão terá apresentado à Direção da Federação e que a Assembleia Geral caucionou.

Quais são pois os objetivos na área do autocaravanismo a promover pela FCMP através da Comissão de Autocaravanismo?

“• Manter como orientação primeira os conceitos consignados na Declaração de Princípios que a FCMP subscreveu em maio de 2010 e que a FICC adaptou no essencial em agosto de 2011;

• Consagrar um Dia dedicado ao Autocaravanismo com o objetivo de contribuir para evidenciar periodicamente esta temática e chamar a atenção da opinião pública para as questões que se colocam aos autocaravanistas e para os benefícios que a sociedade pode colher desta atividade;

• Contribuir para o Desenvolvimento Local no Âmbito do Turismo Itinerante;

• Estabelecer parcerias com as organizações de apoio ao desenvolvimento local, designadamente com o Projeto “Portugal Tradicional”;

• Promover a criação de uma Base de Dados de Representantes de Marcas de Autocaravanas em Portugal e de “Oficinas de Autocaravanas” de acesso público é, mais do que um objetivo, uma necessidade;

• Partindo do princípio que as “Áreas de Serviço para Autocaravanas” são um apoio importante para esta atividade, há que continuar a pugnar pela sua implementação, numa proporção nunca inferior a uma por Concelho, devendo esta dinâmica ser acompanhada de forma coordenada e sustentada, com o apoio dos Conselhos Regionais;

• Por outro lado, torna-se necessário compreender que os autocaravanistas não estão suficientemente unidos, conscientes do que querem e com disponibilidade para lutarem e conseguirem uma Lei Quadro em que os interesses económicos não se sobreponham a uma atividade cultural de excelência e às liberdades da prática do Autocaravanismo;

• Continuar a aprofundar as relações com as autarquias através de um canal de divulgação dos eventos que as autarquias promovam, relacionados direta ou indirectamente com o autocaravanismo e que possam ser de interesse para os autocaravanistas;

• Contribuir para que a FCMP esteja fortemente representada em acampamentos, nacionais e internacionais e, por outro lado, participe em debates, seminários, convenções, eventos lúdicos, desportivos e/ou culturais, entre outros, contribuindo para um melhor esclarecimento, formação e conhecimento do que é e do que se pretende que seja o autocaravanismo associativo.”

Se atentarmos neste ambicioso Plano da FCMP, Plano que consubstancia os quereres de muitos e muitos autocaravanistas e que defende a prática responsável e livre do autocaravanismo, não podemos negar que, depois de esta mesma Federação, a única em Portugal a ter subscrito a Declaração de Princípios, esta Federação que oficialmente tutela o autocaravanismo no nosso País, vem agora apontar caminhos que aniquilam as críticas destrutivas e sem sustentação que, alguns, poucos, lhe fazem.

Faço votos para que a Comissão de Autocaravanismo da FCMP saiba assumir a responsabilidade que lhe é confiada e que obtenha os apoios institucionais e políticos de que carece para implementar o Plano de Atividades aprovado pela Assembleia Geral da Federação.

Tem a palavra a Comissão de Autocaravanismo da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal.


(O autor, todas as Quintas-feiras, no Blogue do Papa Léguas Portugal, emite uma opinião sobre assuntos relacionados com o autocaravanismo (e não só) –  AQUI)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Por Terras de Viriato


POR TERRAS DE VIRIATO
(52º Encontro CPA)

Foto Reportagem

Encontro autocaravanista promovido pela Associação Autocaravanista de Portugal - CPA nos dias 21, 22 e 23 de março de 2014 com visitas a Viseu, Carregal do Sal, Nelas e Vila Meã.

Sem desprimor por outros locais realça-se a visita em Viseu à exposição sobre a vida de Aristides de Sousa Mendes.

As fotos, cuja ordem corresponde à sequência do passeio, podem ser vistas AQUI

Para ver as fotos em “tela inteira” não se esqueça de pressionar a tecla “F11”. Para voltar ao formato inicial prima de novo “F11”.


ARISTIDES DE SOUSA MENDES

Aristides de Sousa Mendes foi um Diplomata português que durante a II Guerra Mundial salvou mais de 30.000 vidas da perseguição Nazi, em 1940, no que é considerado como a maior acção de salvamento empreendida por uma pessoa individual.

A Fundação Aristides de Sousa Mendes foi constituída no ano 2000 com os objectivos de divulgar o Acto de Consciência de Aristides de Sousa Mendes e de desenvolver e executar o projecto de recuperação da casa de família de Sousa Mendes, a Casa do Passal, em Cabanas de Viriato.


Por falta de meios, a Casa do Passal  encontra-se numa situação de ruína iminente.  Através desta página, os interessados podem associar-se ao programa de celebração e divulgação do Acto de Consciência de Aristides de Sousa Mendes e, também, contribuir com os seus donativos para recuperação da Casa do Passal e para a criação de um centro de memória que dignifique e perpetue o seu acto exemplar.


No início de 1940, Aristides é formalmente avisado por Salazar para não conceder mais vistos a judeus, pois “se o fizer, ficará sujeito a procedimento disciplinar”. Paris, entretanto, cai ante o avanço das tropas nazis, a 14 de Junho, e, no dia seguinte, Bordéus fica submergida de refugiados.  É o salve-se quem puder! Bordéus, uma cidade de 200.000 pessoas, passa a ter um milhão! É o pânico generalizado…”dir-se-ia o fim do mundo”, como escreveu, trinta anos mais tarde, nas suas “Memórias”, Pedro Teotónio Pereira, principal acusador do Cônsul.

 A autora de “Vidas Poupadas – a acção de três diplomatas portugueses na II Guerra Mundial”, Manuela Franco, menciona um telegrama de 21 de Junho, enviado por Aristides de Sousa Mendes ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde este confirma ter ordenado que se passassem vistos “indiscriminadamente e de graça”. O historiador Yehuda Bauer, no seu livro “A History of the Holocaust”, escreve: “o Cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, concede vistos de trânsito a milhares de judeus refugiados, em transgressão das regras do seu governo. Talvez a maior acção de salvamento feita por uma só pessoa durante o holocausto”. A 19 de Junho, Aristides segue para o Consulado em Bayonne, onde continua a maratona de concessão de vistos, na própria rua, uma vez que as escadas do edifício poderiam não suportar o peso de tão grande fila de espera. Vai depois para Hendaye/Irun e continua de um lado para o outro, salvando pessoas nas estradas do sul de França, nas estações de caminhos-de-ferro, conduzindo mesmo um grupo de refugiados através dos Pirenéus, a pé e de automóvel.

Segundo os registos da polícia política PVDE, que a partir de 1945 se transformara na PIDE, entraram em Portugal, só nos dias 17, 18 e 19 de Junho de 1940, cerca de 18 000 pessoas com vistos assinados pelo “Cônsul desobediente”. "Os guardas da fronteira de Vilar Formoso não se lembram de ter visto tanto movimento." O Alto Comissariado para os Refugiados da Sociedade das Nações calculou que nesse verão terão entrado, em Portugal, mais de 40 000 refugiados. Esse número é confirmado pela organização judaica “Joint”. Na sua casa em Cabanas de Viriato, Aristides recebeu dezenas de refugiados, sobretudo no Verão de 1940, nomeadamente as famílias dos Ministros belgas, no exílio, Albert de Vleeshchouwer e Van Zealand, um alto responsável das finanças belga, assim como muitas freiras e outros religiosos conhecidos do seu tempo de Louvain.


terça-feira, 1 de abril de 2014

IMPORTANTES MEDIDAS


ACABOU
(finalmente)
a
discriminação negativa


Hoje, 1 de Abril, tivemos conhecimento que o Conselho de Ministros reunido para analisar as questões que se colocavam ao turismo em autocaravana, considerado um importante nicho de mercado para o desenvolvimento da economia, deliberou isentar de todas e quaisquer taxas e impostos as autocaravanas que sejam adquiridas entre 1 de Abril e 31 de Dezembro de 2014.

Mas, o mais importante, é que está preparado um Decreto-lei penalizando com coimas e prisão todos os autores de disposições ditas legais, de discriminação negativa, destinadas aos veículos autocaravana  e aos agentes que fiscalizem abusivamente o estacionamento de autocaravanas que se encontrem em condições idênticas a outros veículos de igual gabarito. Segundo a nossa fonte de informação o Decreto-lei entrará em vigor num dia destes.

Também os representantes de marcas de autocaravanas vão conceder descontos de mais de 25% na aquisição de autocaravanas novas neste mesmo período.

As autocaravanas usadas, com mais de 15 anos, terão um subsídio, que pode variar entre 10 a 20 mil euros, quando destinadas a abate.

As autarquias vão criar espaços para estacionamento gratuito de autocaravanas nas chamadas zonas nobres das cidades e retirar todos os sinais de trânsito de discriminação negativa.

Os agentes económicos consideram que todas estas medidas, para além de constituírem um incentivo real para o mercado de autocaravanas, poderão aumentar em mais de 100% os postos de trabalho nesta atividade.



Recordar… “Saiba mais sobre…”


MAIS INFORMAÇÃO, MELHOR DECISÃO
(Texto escrito em 4 de Agosto de 2009)


Um autocaravanista (um cidadão) informado tem uma maior capacidade de decisão consciente.

Este “princípio” aplica-se aos mais diferentes aspectos da vida e, consequentemente aos aspectos ligados à saúde.

O INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P.) disponibiliza no respectivo Portal uma edição mensal “online” que sobre os mais diversos temas relacionados com a saúde.

Esta publicação (SAIBA MAIS SOBRE) iniciou-se em Julho de 2008 e já vai na 12ª edição.

Pode “descarregar” os folhetos directamente no Portal do INFARMED ou, então, aqui mesmo:


1 - MEDICAMENTOS E O CALOR (Julho/2008)


3 - MEDICAMENTOS & INTERNET (Setembro/2008)

4 - DISPOSITIVOS MÉDICOS (Outubro/2008)

5 - MEDICAMENTOS E CONDUÇÃO (Novembro/2008)

6 – FARMACOVIGILÂNCIA (Dezembro/2008)

7 - COMPROVAÇÃO DE QUALIDADE (Janeiro/2009)


9 - FOLHETO INFORMATIVO (Março/2009)


11 - MEDICAMENTOS EM CASA (Maio/2009)

12 - MEDICAMENTOS PEDIÁTRICOS (Junho/2009)

(Todas as Terças-feiras, neste espaço (Papa Léguas Portugal), estarei a “RECORDAR…” e a transcrever alguns escritos antigos que assinalam um período importante (pelo menos para mim) dos meus pensamentos e forma de estar na vida.)