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| AVEIRO |
ROTA DO NORTE – ALEMANHA
Fotos de um percurso através da ROTA DO NORTE com destino a algumas das localidades mais turísticas (e não só) da ALEMANHA.
16- 05-2024
(26 Fotos)
AVEIRO
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| AVEIRO |
ROTA DO NORTE – ALEMANHA
Fotos de um percurso através da ROTA DO NORTE com destino a algumas das localidades mais turísticas (e não só) da ALEMANHA.
16- 05-2024
(26 Fotos)
AVEIRO
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| PRAIA DA COSTA DE LAVOS |
ROTA DO NORTE – ALEMANHA
Fotos de um percurso através da ROTA DO NORTE com destino a algumas das localidades mais turísticas (e não só) da ALEMANHA.
15- 05-2024
(18 Fotos)
PRAIA DA COSTA DE LAVOS
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| No antigamente o pão era cozido em fornos de lenha |
HISTÓRIAS DE ANTANHO
(História número 5)
Introdução Permanente
No período compreendido entre 1945 e 1968 a cidade de Lisboa era bem diferente dos tempos de agora.
A relativamente pouca distância do centro da cidade de Lisboa, ficava o Martim Moniz, bem diferente do atual e a partir do qual se iniciava a Rua da Palma, logo continuada pela Avenida Almirante Reis, paralela à Rua do Benformoso que, por sua vez, terminava no Largo do Intendente, onde começava a Rua dos Anjos que atravessava a Avenida Almirante Reis e terminava no Largo de Santa Bárbara.
Este era o espaço (onde vivi) e as HISTÓRIAS DE ANTANHO se irão essencialmente localizar e a partir do qual outros espaços irão ser referidos no contexto de um ambiente humano muito peculiar.
NÃO COMER CABRITO NO DOMINGO DE PÁSCOA
Admirem-se os jovens de hoje quando lhes revelar que antigamente, há muitos muitos anos, o pão era feito nas padarias e cozido maioritariamente em fornos de lenha.
Nesses espaços o pão era feito durante a noite e uma parte colocada à venda no próprio local e outra distribuída porta a porta.
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| Distribuição de pão porta a porta |
Em Lisboa, os distribuidores, por norma também eles padeiros, que após o fabrico percorriam, muito cedo, utilizando algum meio de transporte (bicicleta, triciclo, carroça) ou então a pé, a zona onde a padaria se localizava para vender, a clientes pré definidos, o pão que nessa madrugada tinham feito. Os que se deslocavam a pé tinham um trabalho mais cansativo, pois transportavam ao ombro grandes cestos de verga com um enorme carrego de pão dos mais diferentes tipos,
De memória ou guiando-se por um caderninho lá iam de porta em porta, subindo a terceiros, quartos e quintos andares para deixar o pão dentro de um saco de linho que se encontrava pendurado na maçaneta do lado de fora da porta.
Por vezes, no saco colocado no exterior da porta, havia um papelinho encomendando uma quantidade maior que a habitual ou algo diferente, como umas arrufadas ou pãezinhos de leite.
No fim da semana o padeiro deixava um papelinho com a conta do pão que tinha entregue na semana anterior e no dia seguinte o cliente colocava o dinheiro no saco que o padeiro recolhia.
O sistema funcionava e nunca me constou que houvesse furtos, já de pão, já de dinheiro.
As padarias não só fabricavam e distribuíam o pão como prestavam também um serviço de apoio à comunidade como adiante referirei.
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| Fogão a petróleo |
Não sendo estes fogões apropriados para fazer assados, como é evidente, o recurso de muitas famílias, principalmente na Páscoa, era recorrer ao forno do padeiro. E era então que a padaria se tornava um apoio importante à comunidade.
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| Igreja do Sagrado Coração de Jesus e Maria imaculada Rua Capitão Renato Baptista |
A padaria de que a minha família era cliente ficava na Rua capitão Renato Baptista, quase em frente da Igreja do Sagrado Coração de Jesus e Maria Imaculada, inaugurada em 1910, com fachada em estilo neogótico. “A capela-mor ostentava as imagens dos patronos, uma pintura da Última Ceia, encimada por um Calvário, e tribunas laterais. No tecto e nas paredes, algumas pinturas com temática eucarística. De referir a torre sineira, nas traseiras do edifício, que albergava um carrilhão com 15 sinos”.
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| Calçada Conde Pombeiro na confluência com a Rua dos Anjos Ainda se veem os carris dos eléctricos que à época ainda por ali circulavam |
Da casa onde morávamos até à padaria era necessário subir a Calçada Conde Pombeiro e depois virar à esquerda para a Rua Capitão Renato Baptista. Um percurso com uns 500 metros e sempre a subir.
Se para uma mulher dos seus trinta anos e para um miúdo irrequieto já era custoso atravessar uma rua movimentada (onde ainda passavam electricos), subir uma calçada e depois percorrer uma rua também com alguma inclinação, imaginem, agora, a dificuldade adicional dos mesmos, transportando uma enorme travessa de barro, contendo um cabrito, com batatas e cebolinhas, coberta com uma pano de linho.
Mas, o transporte para a padaria era o mais fácil do mais difícil. O difícil era combinar com o padeiro a hora a que o forno estaria disponível, pois era, principalmente na Páscoa, muitos os que queriam utilizar o forno. E um cabrito demorava muito tempo… Às vezes, não muitas, devido ao forno estar superlotado, o cabrito que era para ser comido no Domingo de Páscoa tinha que ficar para o Domingo seguinte.
No regresso, quando se ia buscar o cabrito, já assado, a aventura era mais emocionante. Descer a Calçada Conde Pombeiro, com um tabuleiro grande e quente, embrulhado em panos e jornais, era arriscar uma queda espectacular, principalmente com um miúdo que não parava quieto.
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| Sem cabrito na mesa porque o forno da padaria estava lotado |
Hoje, no aconchego das nossas casas, é tão fácil assar um cabrito! Naquela época, assar um cabrito exigia uma programação eficiente para nos não metermos em assados. Se falhássemos a programação arriscávamo-nos a... não comer cabrito no Domingo de Páscoa.
LEIA TAMBÉM (Clique no título):
- COMO O MEU AVÔ SALVOU UM HOMEM (E depois se arrependeu?)
- O XÉ-XÉ
CRÉDITOS:
01ª Foto – Autor: Desconhecido no espaço “Nagumo.com”
02ª Foto – Autor: Joshua Benoliel no espaço “AML” (Lisboa de Antigamente)
03ª Foto – Autor: Desconhecido no espaço “Oportunity”
04ª Foto – Autor: Desconhecido no espaço “Google”
05ª Foto – Autor: Machado & Souza no espaço “Lisboa de Antigamente”
06ª Foto – Autor: Desconhecido no espaço “Receitas e Menus”
07ª Foto – Autor: Inteligência Artificial
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| A Taça do Intendente - Largo do Intendente - Lisboa |
HISTÓRIAS DE ANTANHO
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(História número 4)
Introdução Permanente
No período compreendido entre 1945 e 1968 a cidade de Lisboa era bem diferente dos tempos de agora.
A relativamente pouca distância do centro da cidade de Lisboa, ficava o Martim Moniz, bem diferente do atual e a partir do qual se iniciava a Rua da Palma, logo continuada pela Avenida Almirante Reis, paralela à Rua do Benformoso que, por sua vez, terminava no Largo do Intendente, onde começava a Rua dos Anjos que atravessava a Avenida Almirante Reis e terminava no Largo de Santa Bárbara.
Este era o espaço (onde vivi) e as HISTÓRIAS DE ANTANHO se irão essencialmente localizar e a partir do qual outros espaços irão ser referidos no contexto de um ambiente humano muito peculiar.
A ÁGUA MIRACULOSA |
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| Associação do Registo Civil - Largo do Intendente - Lisboa |
Nos tempos de antanho o "LARGO DO INTENDENTE", situado entre o fim da Rua da Palma e o início da Avenida Almirante Reis proliferava de vida. Vendedoras de hortaliça e de peixe e de outros produtos; carros, caminhetas, burros, cavalos; moços de fretes, propagandistas da “banha da cobra”. Por ali havia fábricas, olarias, palácios e até um liceu. Uma azáfama que começava de madrugada e se prolongava noite dentro. De fábricas ainda lá está o edifício da Viúva Lamego. As olarias desapareceram, contudo, em 1955, existia uma já fora do Largo, junto do Hospital do Desterro.
No Largo do Intendente é historicamente importante referir a existência da “Associação do Registo Civil”, fundada pela Maçonaria, em 5 de Agosto de 1895, porque de entre os milhares de associados se contavam Manuel dos Reis Buíça e Alfredo Luís da Costa, a quem a História consignaria o epíteto de regicidas.
Já o Chafariz do Intendente, abastecido por uma galeria que saía do Aqueduto das Águas Livres, também localizado no Largo do Intendente, junto à Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego é, posteriormente, transferido para a confluência da Rua da Palma com a Avenida Almirante Reis, mesmo na esquina com a Calçada do Desterro onde ainda se encontra.
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| Bebedouro do Intendente - Largo do Intendente - Lisboa |
Um bebedouro (personagem central desta história) que servia para os animais (cavalos, mulas e burros) se dessedentarem e que era também conhecido como “Taça do Intendente” devido à sua forma, encontrava-se (e encontra-se) quase no centro do Largo e a pouca distância da Rua do Benformoso.
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| Bebedouro do Intendente (Pormenor) - Largo do Intendente - Lisboa |
No centro desse bebedouro brotava um jorro de água sulfatada cálcica que mantinha permanentemente o receptáculo cheio sendo o excesso expelido por uns orifícios gradeados colocados na periferia da taça.
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| Bebedouro do Intendente (A Taça) - Largo do Intendente - Lisboa |
Esta água tinha fama de curar problemas de estômago, fígado, rins, bexiga e facilitar as digestões o que não era clinicamente comprovado. Contudo, ao entardecer e nas noites quentes de verão viam-se mulheres, acompanhadas pelos maridos, irmãos ou filhos, a encher garrafões com aquela “água miraculosa”. Para o efeito formavam-se bichas (vocábulo que prefiro a filas) com dezenas de pessoas aguardando, com algumas discussões pelo meio, o acesso à água. Para obter a água usavam-se canas cortadas ao meio (posteriormente substituídas por artefactos metálicos) que eram colocadas desde o centro do bebedouro onde a água brotava até à periferia da taça permitindo assim recolher, facilmente e sem esforço, a água para os garrafões.
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| Imagem fictícia da minha tia e de mim criada com a "Inteligência Artificial" |
Uma tia minha, que eu em criança acompanhava à “água do Intendente”, “odiava” aquele trabalho que a fazia deslocar-se desde quase o Largo de Santa Bárbara até ao Largo do Intendente (cerca de 1 quilómetro) e regressar com o peso de dois garrafões de 5 litros cada (cerca de 10 quilos) cheios daquela “água miraculosa” para satisfação do meu avô. Um trabalho que executava 2 e às vezes 3 vezes, por semana.
Até que um dia…
Nessa noite chovia. E lá fui eu mais uma vez com a minha tia a caminho do Largo do Intendente. No entanto, dessa vez, a primeira de muitas, a rotina foi alterada. Mal saímos de casa a minha tia, ao invés de prosseguir na direcção do objectivo, entrou na leitaria da esquina (que hoje chama-se café), cujo proprietário nos conhecia e pediu para encher os garrafões com água da torneira. Pedido satisfeito. Aguardámos algum tempo, uma meia hora e depois regressámos a casa.
Nessa semana e noutras que se seguiram, não todas, a cena repetiu-se. O meu avô regozijava-se clamando que a água lhe fazia cada vez melhor. E eu, contentíssimo da vida, “rezava a todos os santinhos” para que o meu avô só bebesse da “água del cano” porque, nesses dias, tinha sempre direito a um rebuçado na leitaria da esquina.
Alguns anos mais tarde a ida à “água do Intendente” acabou, talvez porque aquela “água miraculosa” já não parecesse fazer efeito, ou porque a minha tia se recusasse a continuar a servir de aguadeira do pai ou por qualquer outra razão.
Mais tarde, em data que não posso precisar, por razões sanitárias, a Câmara Municipal de Lisboa desactivou a “Taça do Intendente” cuja “água miraculosa” muita gente acreditou ter sido a cura para as respectivas maleitas.
Aquela foi uma época em que as crendices proliferavam, os conhecimentos sanitários eram quase nulos entre a população, o acesso aos médicos era difícil porque eram caros (não havia Serviço Nacional de Saúde) e que as mezinhas (como a “água do Intendente”) eram a solução possível e à “mão de semear”.
Para mim foi uma boa época: nunca chupei tantos rebuçados!
- COMO O MEU AVÔ SALVOU UM HOMEM (E depois se arrependeu?)
- O XÉ-XÉ
CRÉDITOS:
01ª Foto – Autor: Arnaldo Madureira no espaço “AML”
02ª Foto – Autor: Joshua Benoliel no espaço “AML”
03ª Foto – Autor: Desconhecido no espaço “Cidadanialx”
04ª Foto – Autor: Desconhecido no espaço “Cidadanialx”
05ª Foto – Autor: José Arthur Bárcia no espaço Arquivo Fotográfico da “CML”
06ª Foto – Autor: Eduardo Portugal no espaço “AML”
07ª Foto – Autor: Desconhecido no espaço “As fontes da Minha vida”
08ª Foto – Autor: Desconhecido no espaço “As fontes da Minha vida”
09ª Foto – Autor: Inteligência Artificial
10ª Foto – Autor: Desconhecido no espaço “Casa Januário”