terça-feira, 18 de março de 2014

Recordar… “Estacionar em segurança”



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مصر أم الدنيا
والله رهيب هالإختراع يصلح للحريم إذا ساقوا
وين ناسا عنه هذا

  
INVENÇÃO EGÍPCIA
(Texto escrito em 11 de Abril de 2009)

Os Autocaravanistas deparam-se com problemas de estacionamento nomeadamente nas grandes cidades.

Colocar uma Câmara na traseira da autocaravana ou, quando se viaja com companhia, recorrer a auxílio humano que permita arrumar o veículo num espaço diminuto e nas melhores condições de segurança pode resolver algumas situações.

Uma nova invenção egípcia pode, se adaptada às autocaravanas, constituir no futuro um acessório indispensável no estacionamento deste tipo de veículos. O ideal seria que este acessório já viesse instalado de origem.

Não obstante não estar ainda a ser produzida e, consequentemente, comercializada, sugerimos que veja o filme com o protótipo e dê-nos a sua opinião.




(Todas as Terças-feiras, neste espaço (Papa Léguas Portugal), estarei a “RECORDAR…” e a transcrever alguns escritos antigos que assinalam um período importante (pelo menos para mim) dos meus pensamentos e forma de estar na vida.)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Poesia de... D. Francisco Manuel de Melo


Vi eu um dia a Morte andar folgando

Vi eu um dia a Morte andar folgando
Por um campo de vivos, que a não viam.
Os velhos, sem saber o que faziam
A cada passo nela iam topando.

Na mocidade os moços confiando,
Ignorantes da morte, a não temiam.
Todos cegos, nenhuns se lhe desviam;
Ela a todos c’o dedo os vai contando.

Então, quis disparar, e os olhos cerra:
Tirou, e errou! Eu, vendo seus empregos
Tão sem ordem, bradei: Tem-te, homicida!

Voltou-se, e respondeu; Tal vai de guerra!
Se vós todos andais comigo cegos,
Que esperais que convosco ande advertida?

(D. Francisco Manuel de Melo - 1608-1666)





D. Francisco Manuel de Melo (Lisboa, 23 de Novembro de 1608 – 24 de Agosto de 1666) foi um escritor, político e militar português, ainda que pertença, de igual modo, à história literária, política e militar da Espanha. Historiador, pedagogo, moralista, autor teatral, epistológrafo e poeta, foi representante máximo da literatura barroca peninsular. Dedicou-se à poesia, ao teatro, à história e à epistolografia. Tendo publicado cerca de duas dezenas de obras durante a sua vida, foi ainda autor de outras, publicadas postumamente. Aliou ao estilo e temática barroca (a instabilidade do mundo e da fortuna, numa visão religiosa) o seu cosmopolitismo e espírito galante, próprio da aristocracia de onde provinha. Entre suas obras mais importantes, pode-se destacar o texto moralista da “Carta de Guia de Casados” ou a peça de teatro “Fidalgo Aprendiz” (que é uma "Farsa", como foi descrita pelo seu autor desde o início e não um "Auto" como tem vindo a ser designada por edições recentes).

O tema da morte está diversas vezes presente, como no soneto “Vi eu um dia a Morte andar folgando”, onde se reflecte sobre o poder desordenador, caótico e desequilibrado que a morte impõe ao mundo dos vivos e incautos. O soneto, com a sua forma limitada a catorze versos, vai ao encontro do poder de síntese próprio do autor. É frequente um estilo coloquial que se verifica noutros sonetos, como no “Que vos hei-de mandar de Caparica”, que não é mais que uma carta de Natal a uma prima, na altura em que esteve preso.

domingo, 16 de março de 2014

COMPREENDER PORTUGAL (V)


“Compreender o que se passa no mundo, num país, numa aldeia, numa família, numa pessoa, ou simplificando, para compreender os inter-relacionamentos da sociedade humana, é necessário, mesmo imprescindível, conhecer os acontecimentos do passado e interpretá-los à luz da época em que ocorreram com o conhecimento global do presente.

Ter esse conhecimento (ou qualquer outro) é ter poder. O poder de poder tomar as melhores decisões nos momentos apropriados.”

Em “Compreender Portugal (I)” (ver AQUI) encontra-se explicitadas as razões da divulgação deste tema. Todos os textos e vídeos anteriores sobre "Compreender Portugal" podem ser acedidos AQUI.

Aos autocaravanistas sugiro que visitem muitos dos locais históricos referidos nos vídeos.


IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA


A 11 de janeiro de 1890 o governo britânico de Lord Salisbury enviou ao governo português um ultimato, na forma de "Memorando", exigindo a retirada das forças militares portuguesas chefiadas pelo major Serpa Pinto do território compreendido entre as colónias de Angola e Moçambique (nos actuais Zimbabwe e Zâmbia), zona reivindicada por Portugal ao abrigo do Mapa Cor-de-Rosa.

A pronta cedência portuguesa às exigências britânicas foi vista como uma humilhação nacional por amplas franjas da população e das elites, iniciando-se um profundo movimento de descontentamento em relação ao novo rei de Portugal, D. Carlos, à família real e à instituição da monarquia, vistos como responsáveis pelo alegado processo de decadência nacional. A situação agravou-se com a severa crise financeira ocorrida entre 1890-1891, quando as remessas dos emigrantes no Brasil cairam 80% com a chamada crise do encilhamento na sequência da proclamação da república no Brasil dois meses antes, acontecimento que era seguido com apreensão pelo governo monárquico e com júbilo pelos defensores da república em Portugal. Os republicanos souberam capitalizar este descontentamento, iniciando um crescimento e alargamento da sua base social de apoio que acabaria por culminar no derrube do regime .

Fonte: Wikipédia – A enciclopédia livre



sábado, 15 de março de 2014

Amor e uma autocaravana

                                                                           Foto do Blogue Dry Everywhere


"Amor e uma autocaravana"


Desde a sua fundação, em 2009, que o jornal i tem ganho todos os anos várias distinções jornalísticas que estão agora em exposição na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Na área do design, dos textos e dos títulos foram vários os prémios que o Jornal i tem obtido.

O motivo pelo qual me refiro a esta distinção relaciona-se com o texto publicado em 20 de janeiro de 2010 que sob o título "Amor e uma autocaravana" (ver AQUI) obteve uma distinção.
Teremos que concluir que o amor e o autocaravanismo são indissociáveis?

As distinções jornalísticas referidas encontram-se expostas na Santa Casa, no edifício do Largo Trindade Coelho, em Lisboa. Até ao final do mês de Março será possível visitar esta exposição, onde figuram 20 placards expostos ao longo dos principais corredores do edifício, aberto ao público e com entrada livre. Uma exposição que não ficará por aqui e que em breve se fará também de forma itinerante.

Fonte: Jornal i

sexta-feira, 14 de março de 2014

Por terras de Viriato



POR TERRAS DE VIRIATO


O prazo para as inscrições do 52º Encontro da Associação Autocaravanista de Portugal - CPA (ver em Por terras de Viriato) termina no próximo sábado, dia 15 de março.

Este Encontro é organizado no fim-de-semana em que se realiza a Assembleia Geral do CPA (ver AQUI) e destina-se exclusivamente a sócios desta associação, não obstante ser do conhecimento geral que aos eventos programados pelo CPA têm acesso autocaravanistas não sócios, exceto, como é o caso do 52º Encontro, quando organizados simultaneamente com uma Assembleia Geral. Podem participar neste 52º Encontro, como tem vindo a ser norma e embora possam não ser sócios, os acompanhantes de associados que se façam deslocar na mesma autocaravana.


VIRIATO

“Enquanto ele comandava ele foi mais amado
do que alguma vez alguém foi antes dele.”

Diodoro da Sicília


Pouco se conhece sobre a vida de Viriato. Não se sabe nada da sua data de nascimento nem o local exacto onde nasceu e a única referência à localização da sua tribo nativa foi feita pelo historiador grego Diodoro da Sicília [carece de fontes] que afirma que ele era das tribos Lusitanas que habitavam do lado do oceano.

Viriato pertencia à classe dos guerreiros, a ocupação da elíte, a minoria governante. Ele era conhecido entre os romanos como dux do exercito Lusitano, como adsertor (protector) da Hispânia, ou como imperator, provavelmente da confederação das tribos Lusitanas e Celtiberas.

Outros estudos indicam que a teoria de que Viriato era um pastor não é a mais correcta. Segundo Pastor Muñoz, Viriato seria um aristocrata proprietário de cabeças de gado. Tito Lívio descreve-o como um pastor que se tornou caçador e depois soldado, dessa forma teria seguido o percurso da maioria dos jovens guerreiros, a iuventos, que se dedicavam a fazer incursões para capturar gado, à caça e à guerra. Na tradição romana os antepassados mais ilustres eram pastores, e Viriato é comparado àquele que teria sido o pastor mais ilustre que se tornou no rei de Roma, Rómulo. A ideologia do rei-pastor, o pastor que se tornou rei, está presente na tradição de várias culturas para além da grega e da romana.  A metáfora do rei- pastor de Homero era frequentemente usada para dar ênfase às funções e deveres de um rei. Havia quem pensasse que Viriato tinha uma origem obscura no entanto Diodoro da Sicília também diz que Viriato "demonstrou ser um príncipe".

Os Lusitanos homenageavam Viriato com os títulos de Benfeitor, (Grego: evergetes), e Salvador, (Grego: soter), os mesmos títulos honoríficos usados pelos reis da dinastia ptolemaica.

Ele foi descrito como um homem que seguia os princípios da honestidade e trato justo e foi reconhecido por ser exacto e fiel à sua palavra nos tratados e alianças que fez. Diodoro disse que a opinião geral era de que ele tinha sido o mais amado de todos os líderes lusitanos.

Viriato era, segundo a teoria avançada por Schulten, oriundo dos altos Montes Hermínios, actual Serra da Estrela, embora nenhum autor da antiguidade o tenha mencionado.

Fonte: Wikipédia – A enciclopédia livre

quinta-feira, 13 de março de 2014

Liberdade e Autocaravanismo (I)


A LIBERDADE
(e a “expulsão” de autocaravanistas em Silves (2014-02-21) – Parte I)


Muitas vezes, direi mesmo quase sempre, quando se questiona um utilizador de uma autocaravana sobre o que mais o atrai no autocaravanismo, a resposta mais vezes expressa relaciona-se com o conceito de LIBERDADE.

Liberdade de viajar, liberdade de estacionar, liberdade de pernoitar, liberdade de usar a autocaravana ao belo prazer de quem a utiliza.

Mas saberão os utilizadores de autocaravanas o que é a liberdade? Ou as liberdades?

Principiemos por tomar conhecimento de alguns conceitos de liberdade apresentados por quem sobre o assunto refletiu:


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Para Descartes, age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem à escolha. Dessa premissa decorre o silogismo lógico de que quanto mais evidente a veracidade de uma alternativa, maiores possibilidades dela ser escolhida pelo agente.

Nesse sentido, a inexistência de acesso à informação afigura-se enquanto óbice a identificação da alternativa com maior grau de veracidade.

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Para Spinoza, a liberdade possui um elemento de identificação com a natureza do "ser". Nesse sentido ser livre significa agir de acordo com a sua natureza.

Diretamente associada à ideia de liberdade, está a noção de responsabilidade, uma vez que o ato de ser livre implica assumir o conjunto dos nossos atos e saber responder por eles.

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Para Schopenhauer, a ação humana não é absolutamente livre. Todo o agir humano, bem como todos os fenômenos da natureza, até mesmo suas leis, são níveis de objetivação da coisa-em-si kantiana que o filósofo identifica como sendo puramente Vontade.

O homem, objeto entre objetos, coisa entre coisas, não possui liberdade de ação porque não é livre para deliberar sobre a sua vontade. O homem não escolhe o que deseja, o que quer. Logo, não é livre - é absolutamente determinado a agir segundo a sua vontade particular, objetivação da vontade metafísica por trás de todos os eventos naturais. O que parece deliberação é uma ilusão ocasionada pela mera consciência sobre os próprios desejos. É poder viver sem ninguém mandar.

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Para Jean-Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser humano. O homem é antes de tudo livre.

Sua tese é: a liberdade é absoluta ou não existe. Sartre recusa todo o determinismo e mesmo qualquer forma de condicionamento. Assim, ele recusa Deus e inverte a tese de Lutero; para este, a liberdade não existe justamente porque Deus tudo sabe e tudo prevê. Mas como deus não existe, a liberdade é absoluta. E recusa também o determinismo materialista: se tudo se reduzisse à matéria, não haveria consciência e não haveria liberdade. Qual é, então, o fundamento da liberdade? É o nada, o indeterminismo absoluto.

A liberdade humana revela-se na angústia. O homem angustia-se diante de sua condenação à liberdade. O homem só não é livre para não ser livre, está condenado a fazer escolhas e a responsabilidade de suas escolhas é tão opressiva, que surgem escapatórias através das atitudes e paradigmas de má-fé, onde o homem aliena-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre as próprias decisões.

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Marx diz que as várias liberdades parciais que existem no capitalismo - por exemplo, a liberdade econômica (de comprar e vender mercadorias), a liberdade de expressão ou a liberdade política (decidir quem governa) - pressupõem que a separação dos homens com relação as suas condições de existência seja mantida, pois, caso essa separação seja atacada pelos homens em busca de sua liberdade material fundamental, todas essas liberdades parciais são suspensas (ditadura) para restabelecer o capitalismo. Mas se a luta dos indivíduos privados de suas condições de existência (proletários) tiver êxito e se eles conseguirem abolir a propriedade privada dessas condições, seria instaurado o comunismo, que ele entende como a associação livre dos produtores.

Para ele, não há liberdade sem o mundo material no qual os indivíduos manifestam na prática a sua liberdade junto com outras pessoas, em que transformam as suas circunstâncias objetivas de modo a criar o mundo objetivo de suas faculdades, sentidos e aptidões. Ou seja, a liberdade humana só pode ser encontrada de fato pelos indivíduos na produção prática das suas próprias condições materiais de existência.

Desse modo, se os indivíduos são privados de suas próprias condições materiais de existência, isto é, se as suas condições objetivas de existência são propriedade privada  (de outra pessoa, portanto), não há verdadeira liberdade, e a sociedade se divide em proletários e capitalistas. Sob o domínio do capital, a manifestação prática da vida humana, a atividade produtiva, se torna coerção, trabalho assalariado; as faculdades, habilidades e aptidões humanas se tornam mercadoria, força de trabalho, que é vendida no mercado de trabalho, e a vida humana se reduz à mera sobrevivência.

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Bakunin não se referia a um ideal abstrato de liberdade, mas a uma realidade concreta baseada na liberdade simétrica de outros. Liberdade consiste no "desenvolvimento pleno de todas as faculdades e poderes de cada ser humano, pela educação, pelo treinamento científico, e pela prosperidade material." Tal concepção de liberdade é "eminentemente social, porque só pode ser concretizada em sociedade," não em isolamento. Em um sentido negativo, liberdade é "a revolta do indivíduo contra todo tipo de autoridade, divina, coletiva ou individual."

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Fontes: Wikipédia – A enciclopédia livre

Neste momento, depois deste entediante banho de cultura (enlatada), é minha convicção que uma esmagadora maioria dos autocaravanistas do “Porco no Espeto” há muito que deixaram de ler este texto. É pena! Para muitos desses nossos companheiros autocaravanistas só ações exclusivamente coercivas os “motivarão” a respeitar a liberdade de todos.

Não é obrigatório que estejamos de acordo com todos os conceitos acima expressos, podendo mesmo estarmos em desacordo com todos. Teremos, no entanto, que assumir que se quisermos viver em sociedade qualquer conceito de liberdade tem que respeitar o outro ou, melhor dizendo, a liberdade a que o outro também tem direito. Tenhamos também consciência, quer consideremos filosoficamente que o homem é, ou não é, livre, que a vida em sociedade impõe a existência de regras, aceites pela maioria e no respeito pelos direitos fundamentais de todos. E quem as não cumprir, as regras, deve ser penalizado.

Convenhamos, então, que a liberdade não é um conceito abstrato. Assim sendo, impõe-se perguntar aos autocaravanistas (não aos utilizadores de autocaravanas):

Qual o âmbito de liberdade que o autocaravanismo deve ter nas sociedades atuais para prevenir conflitos desnecessários? Permitir que acampem na via pública? Cercear direitos às autocaravanas (discriminação negativa) comparativamente com os direitos de outros veículos de igual gabarito? Aplaudir ou criticar a recente expulsão de autocaravanas em Silves?

Deixo-vos com estas reflecções que pretendem ser tão-somente uma introdução à análise da “expulsão” de autocaravanistas verificada em Silves a 21 de fevereiro deste ano (ver AQUI) e cujos poucos comentários entretanto feitos não souberam (ou não quiseram) extrapolar para além do acontecimento local, nem mesmo relacioná-los com as proibições existentes em Quarteira (ver AQUI).

Voltarei a este tema.


(O autor, todas as Quintas-feiras, no Blogue do Papa Léguas Portugal, emite uma opinião sobre assuntos relacionados com o autocaravanismo (e não só) –  AQUI)


quarta-feira, 12 de março de 2014

AUTOCARAVANISMO - Passeio pelo "Nordeste Transmontano"


Autocaravanismo

Passeio pelo “Nordeste Transmontano”
Foto Reportagem

Passeio autocaravanista promovido pelo Clube Autocaravanista Saloio de 28 de fevereiro a 4 de março de 2014

As fotos, cuja ordem corresponde à sequência do passeio, podem ser vistas AQUI

Para ver as fotos em “tela inteira” não se esqueça de pressionar a tecla “F11”. Para voltar ao formato inicial prima de novo “F11”.


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GIMONDE

Pequena freguesia da periferia nascente brigantina, Gimonde é delimitada pelas congéneres Baçal (a norte), Babe (a leste), Milhão (a sudeste), Alfaião (a sul) e finalmente Santa Maria de Bragança (a ocidente). Ligando a freguesia de Gimonde à capital concelhia, numa distância estimada em sete quilómetros, está a E.N. 218.

Pelos limites ocidentais de Gimonde corre o Rio Sabor, o qual, mesmo junto à povoação daquele nome, vem receber as águas dos seus tributários rios Onor e Igrejas. A freguesia, integrada na orla meridional do Parque Natural de Montesinho, é bem conhecida pelos seus atractivos turísticos, os quais se desdobram pelas vertentes paisagísticas, monumental, arqueológica e, inclusivamente, gastronómica.

Na pitoresca aldeia contabilizam-se diversos restaurantes, alguns deles afamados quer pelo atendimento, quer pelas iguarias tradicionais (sobretudo o soberbo fumeiro e deliciosas compotas). O comércio local terá assim certo ascendente económico, conjugando-se com as actividades agrícolas (das quais ressalta o cultivo do lúpulo, de introdução recente) e pecuárias, justificando uma certa prosperidade desta freguesia, Gimonde conta-se, aliás, entre as escassas terras bragançanas que não acusou um decréscimo populacional assinalável – dos 376 habitantes contabilizados em meados do século terá passado para 343, em 1991.

Desde os finais do século passado, pelo menos, que aqui foi assinalado um povoado castrejo, conhecido toponimicamente por Arrabalde. Reconhecido e sumariamente prospectado por Pereira Lopo e, posteriormente, pelo Abade de Baçal, aquele arruinado recinto fortificado castrejo terá conhecido intensa romanização.

A influência do domínio romano no aro de Gimonde será responsável, aliás por diversos achados epigráficos – um marco miliário atribuído ao século III e uma estela funerária – e possivelmente, alguns vestígios de remota mineração. Magnífica obra de engenharia é a velha Ponte de Gimonde, uma das três que se acham lançadas junto ao povoado. A estrutura, do xisto, integra seis arcos de volta redonda, suportando um tabuleiro em dorso levemente arqueado.

A montante do rio Onor pode apreciar-se ainda uma outra ponte em cantaria de granito, de múltiplos arcos abatidos (em número de sete). É esta porém obra bem mais recente, servindo a E.N. 218.

Entre as duas pontes observa-se, por seu turno, uma pequena poldra permitindo a travessia apeada do rio. Sta. Maria (depois N. Sra. da Assunção) de Gimonde foi outrora um curato anexo à reitoria de S. Pedro de Babe. O actual templo paroquial, estrategicamente erguido num pequeno alto que coroa o povoado, é uma estrutura de traça simples mas harmoniosa, erguida em granito de grão fino (cantarias).

No termo da freguesia contam-se ainda as capelas de Santa Columbina e de Sto. António. A “Villa” (propriedade agrária) de Gimonde surge já documentada nas “Inquirições” de 1258, reinando D. Afonso III. Era então foreira àquele monarca embora também aqui possuísse bens entre outros titulares, o mosteiro espanhol de Moreruela.

Relativamente aos jogos tradicionais, constituem actividades lúdicas que convidam ao relaxamento e convívio dos habitantes nas suas horas livres, sobretudo nas tardes de Domingo. Alguns destes jogos, nos quais a freguesia está inserida destacam-se: o jogo do fito e o jogo da relha.

Festas e Romarias
Nossa Senhora da Assunção (15 de Agosto), Santa Colombina, Santo António (3.º Domingo de Setembro) e festa dos Casados (Sábado e Domingo Gordo).

Património
Igreja matriz, capelas de Santa Colombina e de santo António, ponte romana, castro de Gimonde, moinho, fonte de mergulho e forno comunitário, Castro de Gimonde, Ponte Romana e Marco Miliário.

Gastronomia
Fumeiro, botelo com cascas, a truta, bacalhau assado na brasa, carnes de caça, folar da Páscoa, arroz doce, bolos económicos e vinho maduro tinto.

Artesanato
Tecelagem e meias feitas a partir de lã de ovelha.


Ponte de Gimonde, também referida como Ponte Velha, localiza-se sobre o rio Malara, na altura de Gimonde, no concelho de Bragança, distrito de mesmo nome, em Portugal.

Trata-se de uma antiga ponte romana. A sua estrutura original foi alterada ao longo dos séculos, nomeadamente durante a Idade Média, período em que se incluem os seis arcos de meio-ponto, com talhamares a montante e a jusante. Com as fundações assentes num maciço rochoso de xisto, tanto as guardas da ponte como a sua superestrutura foram construídas com a mesma pedra.

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1990.

Fontes:
Câmara Municipal de Bragança
Wikipédia – A enciclopédia livre

terça-feira, 11 de março de 2014

Recordar… “Tradições”


O sofrimento não pode fazer parte das nossas tradições
(Texto escrito em 25 de Março de 2009)




Não acabem com estas as tradições?

(Todas as Terças-feiras, neste espaço (Papa Léguas Portugal), estarei a “RECORDAR…” e a transcrever alguns escritos antigos que assinalam um período importante (pelo menos para mim) dos meus pensamentos e forma de estar na vida.)

segunda-feira, 10 de março de 2014

Poesia de... Luís de Camões (IV)



O Amor na obra de Camões

Dos temas mais presentes na lírica camoniana o do amor é central e ocorre de modo conspícuo também n' Os Lusíadas. Na sua concepção incorporou elementos da doutrina clássica, do amor cortês e da religião cristã, concorrendo todos para incentivar o amor espiritual e não o carnal. Para os clássicos, especialmente na escola platónica, o amor espiritual é o mais elevado, o único digno dos sábios, e esta espécie de afecto incorpóreo acabou por ser conhecida como amor platónico.

Na religião cristã da sua época o corpo era visto como fonte de um dos pecados capitais, a luxúria, e por isso sempre foi encarado com desconfiança quando não desprezo; conquanto fosse aprovado o amor nas suas versões espirituais, o amor sexual era permitido primariamente para a procriação, ficando o prazer em plano secundário. Da poesia trovadoresca herdou a tradição do amor cortês, que é ele mesmo uma derivação platónica que coloca a dama num patamar ideal, jamais atingível, e exige do cavaleiro uma ética imaculada e uma total subserviência em relação à amada. Nesse contexto, o amor camoniano, como expresso nas suas obras, é, por regra, um amor idealizado que não chega a vias de facto e se expressa no plano da abstração e da arte. Contudo, é um amor preso no dualismo, é um amor que, se por um lado ilumina a mente, gera a poesia e enobrece o espírito, se o aproxima do divino, do belo, do eterno, do puro e do maravilhoso, é também um amor que tortura e escraviza pela impossibilidade de ignorar o desejo de posse da amada e as urgências da carne. Queixou-se o poeta inúmeras vezes, amargamente, da tirania desses amores impossíveis, chorou as distâncias, as despedidas, a saudade, a falta de reciprocidade, e a impalpabilidade dos nobres frutos que produz. Tome-se como exemplo um soneto muito conhecido:

Amor é fogo que arde sem se ver


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


(Luís de Camões – 1524-1580)



domingo, 9 de março de 2014

COMPREENDER PORTUGAL (IV)


“Compreender o que se passa no mundo, num país, numa aldeia, numa família, numa pessoa, ou simplificando, para compreender os inter-relacionamentos da sociedade humana, é necessário, mesmo imprescindível, conhecer os acontecimentos do passado e interpretá-los à luz da época em que ocorreram com o conhecimento global do presente.

Ter esse conhecimento (ou qualquer outro) é ter poder. O poder de poder tomar as melhores decisões nos momentos apropriados.”

Em “Compreender Portugal (I)” (ver AQUI) encontra-se explicitadas as razões da divulgação deste tema. Todos os textos e vídeos anteriores sobre "Compreender Portugal" podem ser acedidos AQUI.

Aos autocaravanistas sugiro que visitem muitos dos locais históricos referidos nos vídeos.


RESTAURAÇÃO DA iNDEPENDÊNCIA


Por volta de 1640, a ideia de recuperar a independência tornou-se mais forte e a ela começaram a aderir todos os grupos sociais.

Os burgueses portugueses estavam desiludidos e empobrecidos com ataques ao seu território e aos navios que transportavam os produtos que vinham das várias regiões do reino de Portugal continental, insular e ultramarino. A concorrência dos Holandeses, Ingleses e Franceses diminuía-lhes o negócio e os lucros.

Os nobres viam os seus cargos ocupados pelos Espanhóis, tinham perdido privilégios, eram obrigados a alistar-se no exército castelhano e a suportar todas as despesas. Também eles empobreciam e era quase sempre desvalorizada a sua qualidade ou capacidade. A corte estava em Madrid e mesmo a principal gestão da governação do reino de Portugal, que era obrigatoriamente exigida de ser realizada in loco, era entregue a nobres castelhanos e não portugueses. Estes últimos viram-se afastados da vida "palaciana" e acabaram por se retirar para a província, onde viviam nas suas casas senhoriais e solares, para poderem sobreviver com alguma dignidade imposta pela sua classe social.

Portugal, na prática, era como se fosse uma província espanhola, governada de longe. Os que ali viviam eram obrigados a pagar impostos que ajudavam a custear as despesas do Império Espanhol que também já estava em declínio.

Foi então que um grupo de nobres - cerca de 40 conjurados - se começou a reunir secretamente, procurando analisar a melhor forma de organizar uma revolta contra Filipe IV de Espanha (III de Portugal).

Fonte: Wikipédia – A enciclopédia livre