segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Poesia de... Gil Vicente



          Já não quer minha senhora


     Já não quer minha senhora
     que lhe fale em apartado:
     Oh, que mal tão alongado!

     Minha senhora me disse
     que me quer falar um dia;
     agora, por meu pecado,
     disse-me que não podia.
     Oh, que mal tão alongado!

     Minha senhora me disse
     que me queria falar;
     agora, por meu pecado,
     não me quer ver nem olhar.
     Oh, que mal tão alongado!

     Agora, por meu pecado,
     disse-me que não podia.
     Ir-me-ei triste pelo mundo
     onde me levar a dita.
     Oh, que mal tão alongado!

     (Gil Vicente – 1465-1537)

“Gil Vicente (c. 1465 — c. 1536?) é geralmente considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas de músico, actor e encenador. É frequentemente considerado, de uma forma geral, o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico já que também escreveu em castelhano - partilhando a paternidade da dramaturgia espanhola com Juan del Encina.

Há quem o identifique com o ourives, autor da Custódia de Belém, mestre da balança, e com o mestre de Retórica do rei Dom Manuel.

A obra vicentina é tida como reflexo da mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento, fazendo-se o balanço de uma época onde as hierarquias e a ordem social eram regidas por regras inflexíveis, para uma nova sociedade onde se começa a subverter a ordem instituída, ao questioná-la. Foi, o principal representante da literatura renascentista portuguesa, anterior a Camões, incorporando elementos populares na sua escrita que influenciou, por sua vez, a cultura popular portuguesa.”
Fonte: Wikipédia – A enciclopédia livre


Uma das obras literárias mais conhecidas de Gil Vicente é o “Auto da Barca do Inferno”.

“O Auto da Barca do Inferno é uma complexa alegoria dramática de Gil Vicente, representada pela primeira vez em 1517. É a primeira parte da chamada trilogia das Barcas (sendo que a segunda e a terceira são respectivamente o Auto da Barca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória).

Os especialistas classificam-na como moralidade, mesmo que muitas vezes se aproxime da farsa. Ela proporciona uma amostra do que era a sociedade lisboeta das décadas iniciais do século XVI, embora alguns dos assuntos que cobre sejam pertinentes na actualidade.

Diz-se "Barca do Inferno", porque quase todos os candidatos às duas barcas em cena – a do Inferno, com o seu Diabo, e a da Glória, com o Anjo – seguem na primeira. De facto, contudo, ela é muito mais o auto do julgamento das almas.”
Fonte: Wikipédia – A enciclopédia livre


O Grupo de Teatro Lethes (designação de um mítico rio, cujas águas tinham o poder mágico de apagar da lembrança das almas os reveses e as agruras da vida) representou no Teatro do mesmo nome, localizado em Faro, o

AUTO DA BARCA DO INFERNO


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Parte 6 de 6



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